quarta-feira, 2 de março de 2016

"Eu costumava achar que era louca" (um relato de um relacionamento abusivo)



"Quantas vezes me vi no banheiro da casa dele, toda encolhida, sentindo a saliva quente dele no meu corpo enquanto ele gritava? Quantas vezes sussurrei 'Como vim parar aqui? Como virei essa mulher?'



Atenção: Este post contém descrições de abuso de parceiros íntimos e pode ser perturbador.
Quantas vezes me vi no banheiro da casa dele, toda encolhida, sentindo a saliva quente dele no meu corpo enquanto ele gritava? Pare de chorar como um neném. Você é louca. Ninguém mais te aguentaria.
Quantas vezes fiquei tremendo ali no chão, contando as respirações, quase sufocando num ataque de pânico causado por um desses acessos de loucura? Mas ele nunca me bateu.
Quantas horas fiquei ali no chão daquele banheiro depois de ele ter voltado para a cama, meus olhos vermelhos dos vasos estourados?
Quantas vezes ouvi o ronco e percebi que ele tinha pegado no sono, a não mais de um metro de distância, enquanto eu hiperventilava, ainda à mercê do ataque de pânico? Quantas vezes sussurrei “Como vim parar aqui? Como virei essa mulher?”
Quantas vezes disse para mim mesma: “Levante, chame um táxi e vá embora”? Quantas vezes me levantei e não me reconheci no espelho? Quanto ódio eu senti pela mulher que me olhava de volta? Mas ele nunca me bateu.
Quantas vezes voltei para aquela cama, em vez de entrar num táxi, e acordei com os braços dele em volta de mim, dizendo que a culpa tinha sido minha? Ele não era assim. Eu é que trazia à tona esse lado dele. Eu tinha de mudar. Parar de acusá-lo. Se eu fosse mais gentil, ele reagiria de outro jeito.
Quantas vezes mudei minha abordagem antes de perceber que a única maneira de evitar o abuso era não tocar no assunto? Mas ele nunca me bateu.
Quantos e-mails e mensagens de texto eu encontrei?
A quantas festas fomos sabendo que uma das mulheres estaria presente? Aprendi a não falar do assunto para que “eu” não estragasse a noite. Quando alguém da família dele me perguntou se era meu o batom que estava embaixo da almofada do sofá, simplesmente o joguei fora e não disse mais nada. Nem ela. Outra humilhação sofrida em silêncio. Mas ele nunca me bateu.
Quantas vezes ele me disse que ia dormir, que tinha um jantar com um cliente, que não ouviu o telefone, mas na verdade estava com outra? Quantas vezes ele ignorou minhas ligações e no dia seguinte disse que nada tinha acontecido? Era sadismo. Eu via como ele gostava desse poder.
Quantas mentiras difamatórias ele inventou e espalhou para meus antigos colegas e amigos quando o abandonei? Quantas vezes ele manchou minha reputação?
Quantas vezes voltei, acreditando nas promessas de que ele era um novo homem, acreditando em cada desculpa? Mas ele nunca me bateu.
Quantas vezes uma amiga foi me resgatar quando ele me expulsou da cama depois de eu perguntar sobre as outras mulheres?
Quantas vezes voltei para ele antes que essas amigas ficassem fartas de me ajudar? Quantas vezes o defendi e justifiquei seu comportamento quando contei para uma amiga o que ele tinha feito? Quando foi que simplesmente parei de contar para as pessoas para evitar a vergonha da loucura que eu estava vivendo – a vergonha de ser uma mulher independente e forte que não conseguia se livrar de uma situação tóxica. Quando foi que parei de ter expectativas? Mas ele nunca me bateu.
Como eu poderia explicar que achava que a culpa era em parte minha, apesar de sentir vergonha de ouvir aqueles chavões saindo da minha boca. Ninguém realmente entendia. Ninguém o conhecia como eu. Minha função era protegê-lo da verdade do que ele fazia comigo. Não poderia deixar que achassem que ele era um monstro. Não contaria para ninguém. Estava totalmente sozinha. Mas ele nunca me bateu.
Na minha solidão, não enxergava mais nos olhos dos outros o reflexo que indicava o que era normal. Só enxergava o reflexo nos olhos dele e comecei a acreditar no que ele me dizia sobre mim. Comecei a acreditar nas explicações irracionais dele, apesar do meu coração e dos meus olhos. Deixei que ele definisse a realidade. Me isolei.
Era mais fácil cortar minha rede de apoio que ter de mentir. Do que ter de encarar a humilhação da minha realidade. Parte de mim sabia que, quando soubessem tudo o que estava acontecendo, as pessoas me forçariam a sair dali para sempre. Não poderia voltar. E eu sabia que precisaria voltar. Mas ele nunca me bateu.
Estabeleci um limite. Uma fronteira que não atravessaria. No minuto que ele me batesse, eu iria embora. Mas na verdade eu sabia que nem assim iria embora. Teria racionalizado: ao me bater, ele perceberia como as coisas estavam fora do controle. Tudo mudaria.
Não teria de ir embora. Se ele me machucasse, estaria me mostrando que me amava. Ele se importava tanto comigo que era capaz dessa loucura. Ele gostava tanto de mim que era dominado pela raiva ou pelo ciúme ou pela tristeza e simplesmente não conseguia se controlar.
Quando tudo terminou, não tive direito a luto. Ninguém era capaz de entender como amor, ódio, medo e conforto podiam coexistir. Não entendiam que, além de abusar de mim, ele era meu confidente, a pessoa para quem eu cozinhava, a pessoa que passava o domingo chuvoso assistindo TV comigo, a pessoa que ria comigo, a pessoa que me conhecia.
Perdi meu companheiro. Como explicar que o abuso era só uma parte dele? Como explicar isso para si mesma?
Até hoje lembro de momentos carinhosos e me pergunto se as coisas eram tão ruins assim. Ainda tenho dificuldade em reconciliar como ele podia me amar e me machucar como seu eu fosse a inimiga.
Como uma criança, estou aprendendo a redefinir as fronteiras do comportamento normal e a realinhar minhas expectativas. Tenho de lembrar que atos de violência nunca podem ser atos de amor.
Pela primeira vez, enxergo meu próprio reflexo em outras mulheres que saíram da profundeza do abuso.
Mulheres indescritivelmente corajosas que nunca conheci, mas que compartilharam suas histórias e, ao fazê-lo, me salvaram. Essas mulheres me abraçaram com sua dor e, mesmo sem saber, me convenceram de que eu não estava sozinha, que mereço mais. Fazia muito tempo que não acreditava nessa verdade.
Saber que outras mulheres passaram pelo mesmo permitiu que a vergonha se dissipasse. Eu costumava achar que era louca ou sensível demais porque não conseguia conciliar o amor com o abuso.
Me permiti aceitar que ambos existiam. As histórias delas me permitiram me perdoar. Reconhecer como aquela fronteira era arbitrária. Me reconhecer nos olhos dela permitiu dar nome à pessoa que abusava de mim. Dar nome à minha experiência de vítima de abuso. E me libertar.
Espero que minhas palavras abracem outras mulheres. Espero que elas deem a força e o amor de que elas precisam para sair das profundezas.
Reut Amit, Brasil Post

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mulher separada sim, sozinha NÃO!

12039436_170710783274227_5538892066547278755_n.jpgAs mulheres separadas sofrem diariamente com atitudes machistas no ambiente de trabalho, no dia a dia, no bairro onde moram, universidades, etc.. Os homens acreditam que estão necessitadas e que basta uma cantada e pronto,  uma mão lava a outra, ele quebra o galho dela e consegue dar uma escapadinha! Sim! Malditos machistas que não respeitam  a mulher que está em casa, que escolheram para casar e ter filhos! Babacas! 
Mulher separada sim, sozinha NÃO! A mulher sai com quem quer e na hora que quiser,  Não precisa de um idiota casado para atrapalhar sua vida! Mulher tem competência para encontrar um parceiro que valha a pena, SOLTEIRO e, mesmo que não queira compromisso, a última coisa que vai querer é um idiota casado, que não respeita o sexo feminino, no seu pé. CAI FORA MACHISTA!

domingo, 3 de janeiro de 2016

sábado, 5 de dezembro de 2015

domingo, 8 de novembro de 2015

Gostosa! Ô lá em casa heim!

Qual mulher nunca ouviu expressões dessa natureza durante a sua vida? É a pior das manifestações machistas, porque não se pode fazer muita coisa para mudar. É própria dos homens e causa muito constrangimento para a mulher. É o velho conceito de que a mulher gosta de ser vista sob o ponto de vista sexual, que a conquista tem que partir de um contexto sexual. Também culpam a própria mulher por se vestir de forma a provocar isso. Num país onde a cada 11 minutos uma mulher é estuprada, esse conceito já passou da época de acabar. Não é porque uma mulher usa short, calça comprida ou burca, que tem que ser tratada com tamanho desrespeito. Todas essas mulheres sofrem o mesmo tipo de assédio, independente da forma que se vestem
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 Muitos homens quando escutam um não de determinadas mulheres, rebatem com a famosa frase: EU SEI COMO FAZER VOCÊ MUDAR DE IDEIA. Muito ruim ouvir isso,pois remete a mulher ao papel de pessoa sem vontade passiva de convencimento. Também a coloca num contexto puramente sexual, como se a mulher mudasse de ideia a partir de uma performance sexual masculina satisfatória. E também coloca o homem num patamar de pura arrogância machista, como se fosse uma máquina de fazer sexo. Triste!
Todo esse comportamento é resultante de uma educação machista que merece ser revista, reavaliada e extinta. 
O que nos mulheres tiramos disso? Ora, não podemos mudar o que está na cabeça dos homens educados na velha tradição machista, mas será que não? Discutir a ideia é o caminho. E um fator importante para mudar isso a longo prazo é EDUCAR nossos filhos homens de uma forma diferente. Vamos ler mais, abrir a cabeça para essas questões e tentar colocar isso em prática dentro de casa com nossos filhos.

sábado, 7 de novembro de 2015

Essa é pra casar

Quem não  ouviu essa expressão? Essa é pra casar! Já a outra não! Quem é a outra? A que saiu com quem deu vontade, a que disse sim no primeiro encontro, a que ficou bastante, a mais assediada, a que aproveitou melhor a adolescência etc. Porém vão dizer: Não é pra casar porque é piranha, deu pra todo mundo... E o pior, a maioria das mulheres repete isso  sem noção de que estão sendo machistas!
A mulher luta tanto por direitos iguais, mas quando se depara com uma que age conforme sua vontade,  se choca! Se essa mulher conseguiu romper mais com as regras do que você, isso não quer dizer que seja vadia, aliás, vadia é uma expressão tipicamente machista.
Novamente nos deparamos com a tal ética. Se para você sair namorando aqui e ali não é ético, aja de acordo com sua consciência. Porém, se para seu semelhante não é assim, pare de se importar com ele, esqueça seus preceitos machistas! Isso você adquiriu na infância, foi educada para reprimir todo comportamento que não condizia com o modelo de comportamento estipulado para as mulheres. Ora, pense! Para o homem o conceito é outro! Se o homem sai com todas ele é viril, ele é o tal, por que?
O comportamento promíscuo não é legal nem para o homem, nem para a mulher. Porém, tem que se saber separar alhos e bugalhos, não generalize. Não sei se você já percebeu que a maioria dos homens tem um pensamento machista  a esse respeito e cria uma barreira contra mulheres que aproveitam a vida sem muitas regras machistas. Eles correm atrás, mas dizem que não é pra casar. Mas, também, grande porcentagem desses homens acabam se apaixonando por essas mulheres e, contra tudo que pregavam, acabam  assumindo um compromisso com elas. Depois acontecem os conflitos, os ciumes, as brigas  passionais e  acabam se separando. Isso pra não falar na porcentagem que acaba mal, sendo enquadrado na Leia Maria da Penha. Mesmo com as mulheres ditas certinhas, eles não aceitam nenhum avanço, nada que abale a tranquilidade da estrutura familiar. Não estou generalizando o comportamento masculino. Grande parte dos homens acompanham a evolução feminina com olhares de cumplicidade e de orgulho por suas companheiras, mães e irmãs. Porém ainda é grande o número que se atrapalha com as consequências da educação que recebeu desde o berço. Isso tudo é resultado de uma educação machista!
Reveja seus conceitos e repense sua vida. Mas, principalmente, pare de se afetar com comportamentos que não são seus e nem são da sua conta! Você, certamente, será mais feliz! E pense bem antes de educar uma menina e um menino. Reflita para não ser cobrada no futuro por contribuir para a proliferação de pensamentos machistas. A mudança vai demorar e será a passos lentos, gota a gota, mas, contribua com sua gotinha! Pense!

Ela diz NÃO quando quer dizer SIM

Quem nunca ouviu essa frase - ela disse não, porém mulher sempre diz não quando quer dizer sim, insista! - A cultura machista ensina os meninos a insistirem, a não desistirem no primeiro não, reduzindo a mulher a um ser sem personalidade, uma pessoa insegura, que tem  que usar do não para ser DIREITA, pois mulher que diz SIM de primeira, não presta. Essa é uma forma que tanto mulheres quanto homens são educados e, quem ensina esse disparate, na maioria das vezes é a própria mulher.

Porque temos que mentir? Se dizemos sim é sim. Ah, mas a sociedade vai me crucificar! Eu estou morrendo de vontade de dizer sim, mas vou parecer oferecida! Nada! A sociedade não faz parte do seu corpo, da sua alma, da sua casa, da sua vida! Você vem antes dela! Primeiro VOCÊ depois a sociedade. Eu costumo dizer que as consequências do meu SIM serão bem mais satisfatórias do que as consequências do meu NÃO. A frustração parece coisa pouca porque nos acostumamos a ela sendo mulheres. Porém, experimentem dizer SIM, quando quiserem dizer SIM, e verão a satisfação de fazer algo que realmente queremos, na hora que decidimos fazer e não na hora que a sociedade decidiu que fizéssemos. Somos pessoas, homens e mulheres, e sofremos consequências de nossos atos, porém, quando agimos dentro da ética, as consequências costumam ser boas e, se exercitarmos isso, a culpa vai embora, rapidinho vai pro lixo, que é lugar dela. Ah! Quer saber o que é ética? Ética é igual para homens e mulheres. Parta desse significado e você saberá que cartilha seguir. Não existem duas éticas, a mesma que rege homens, rege mulheres. Não acredite em quem diz o contrário, pois isso faz parte da cultura machista.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Apresentação



Um dia você percebe que está sozinho. Não no sentido de solidão, de estar só, mas de contar somente com você mesmo. Quando as dificuldades aparecem a gente compartilha com os amigos e o que mais escuta são palavras de consolo, frases de efeito, do tipo "as coisas vão melhorar", "nada como uma dia após o outro", "tenta ver pelo lado positivo" etc. Porém as atitudes mais diretas, as providências mais imediatas, aquelas que podem realmente ajudar, realmente melhorar algo que está ruim, estas só a gente mesmo pode tomar. Nesse sentido é que se percebe estar só. Nada vai se alterar se a gente mesmo não cuidar para que se altere. Nada melhora, a não ser que tomemos as providências para tal. Seja fazendo um empréstimo, arranjando um trabalho, procurando um novo amor, fazendo uma viagem, mudando o visual, saindo para conhecer pessoas...Cada problema exige uma postura de nós mesmos. Ficar sentada no sofá não vai trazer felicidade. Existe uma frase que eu sempre achei piegas: "a primeira coisa para ser aceito pelos outros é aceitar a si mesmo", "primeiro gostar da gente mesmo, para depois se preocupar se gostam da gente" ou algo assim. Hoje acredito nisso! Noutros tempos eu me sentia excluida, como se ninguém me olhasse como pessoa e sim, como mera "senhora fulana de tal". Hoje o que pensam quando me olham deixou de importar. O que busco implacavelmente é saber como eu olho para mim mesmo. O que penso sobre mim? Dicifre-me ou te devoro? Jamais! Devoro-me para me decifrar! Esse é o propósito desse blog. Rever seus conceitos, tentar entender o porquê de suas frustrações e tirar a carga das suas costas. Qual mulher não sente remorso quando tenta se impor, quando tenta se igualar ao sexo oposto, quando sai em busca da realização profissional? Sente culpa por deixar filhos em casa, por deixar marido de lado e quando volta para casa tenta compensar, muitas vezes numa jornada dupla/tripla de trabalho, renunciando ao descanso e se tornando uma pessoa amarga. 
Vamos entender porque isso acontece, de onde vem certos conceitos e de onde surgiram tantas culpas.
Educação machista. Esse é todo problema. O que isso significa? 
Vou tentar passar devagarzinho, passo a passo, o significado desse conceito que muitos acham feminista, mas que é a pura realidade. 
O lema aqui é identificar conceitos, rever posturas e começar uma mudança.
O blog é destinado as mulheres que querem melhorar como pessoas e aos homens que amam mulheres pelo que elas são e não pelo que se tornaram.Vamos mudar?